Diagrama de Ishikawa- Entre o potencial e a prática: os entraves da integração das tecnologias digitais no ensino.

 

 



    No diagrama de Ishikawa apresentado, o tema central: Implementação Instrumental das Tecnologias Digitais, refletimos o ensino, a aprendizagem e, sobretudo, o papel que atribuímos às tecnologias nesse cenário, de acordo com os diferentes eixos abaixo com suas causas, subcausas e persepectivas técnicas.

▪DOCENTES – Formação insuficiente

  • Subcausa: Foco na transmissão
  • Perspectivas técnicas: Instrucionismo / Behaviorismo: compreensão do ensino como transmissão de conteúdo.  Baixa integração ao TPACK: ausência de articulação entre tecnologia, pedagogia e conteúdo. Modelo SAMR (nível Substituição): uso da tecnologia apenas para replicar práticas tradicionais.

 

▪ESTUDANTES – Passividade dos alunos

  • Subcausa: Recepção de conteúdos
  • Perspectivas técnicas:  Aprendizagem passiva (instrucionista): estudante como receptor. Ausência de abordagem construtivista: pouca valorização da construção ativa do conhecimento. Desconsideração do Conectivismo: ausência de aprendizagem em rede e colaboração.

 

▪TECNOLOGIAS DIGITAIS E INFRAESTRUTURA – Recursos limitados

  • Subcausa: Tecnologia defasada
  • Perspectivas técnicas: Determinismo tecnológico limitado: crença de que apenas disponibilizar tecnologia resolve. Uso instrumental das TDIC: foco operacional e não pedagógico.

 

▪CURRÍCULO E METODOLOGIAS – Práticas tradicionais

  • Subcausa: Pouca integração digital
  • Perspectivas técnicas: Currículo conteudista e linear: organização centrada na transmissão. Ausência de metodologias ativas: pouca problematização, criação e colaboração.

 

▪GESTÃO E CULTURA ORGANIZACIONAL – Concepção de inovação equivocada

  • Subcausa: Visão conservadora
  • Perspectivas técnicas: Inovação como adoção tecnológica superficial: sem mudança epistemológica. Cultura organizacional burocrática: resistência à mudança pedagógica.

 

▪AVALIAÇÃO PARA A APRENDIZAGEM – Foco em testes e memorização

  • Subcausa: Avaliação somativa
  • Perspectivas técnicas: Avaliação tradicional (somativa): mensuração de resultados, não de processos. Epistemologia positivista: foco em resultados quantificáveis. Incompatibilidade com aprendizagem em rede e colaborativa (conectivismo). 

 

 

 Escrever sobre tudo isso, como doutoranda, é reconhecer que a chamada “integração das tecnologias digitais” ainda está, em muitos contextos, restrita a uma dimensão instrumental. E talvez o maior desafio não seja aprender a usar novas ferramentas, mas desaprender certas certezas: a de que ensinar é transmitir, a de que aprender é absorver, e a de que inovar é apenas incorporar tecnologia.

No fim das contas, integrar tecnologias digitais na educação exige menos fascínio pelas ferramentas e mais compromisso com a transformação das práticas, das relações e dos sentidos que construímos no ato de ensinar e aprender.

 

Bibliografia Básica

KOEHLER, M. J.; MISHRA, P.; CAIN, W. What is Technological Pedagogical Content Knowledge (TPACK)? Journal of Education, 2013. Disponível em: https://www.matt-koehler.com/publications/Koehler_et_al_2013.pdf.

SIEMENS, G. Connectivism: A Learning Theory for the Digital Age. International Journal of Instructional Technology and Distance Learning, 2005. Disponível em: https://auspace.athabascau.ca/bitstream/handle/2149/2867/Connectivism%20-%20Connecting%20with%20George%20Siemens.pdf.

LÉVY, Pierre. Cibercultura. Tradução de Carlos Irineu da Costa. São Paulo: Editora 34, 1999. (Capítulos 4 e 6).

PIMENTEL, Fernando Silvio Cavalcante. Uma visão múltipla da interação em direção à tutoria. In: ______. Interação on-line: um desafio da tutoria. Maceió: Edufal, 2013. cap. 1, p. 23-49.

PIMENTEL, Mariano; CARVALHO, Felipe da Silva Ponte. Princípios da Educação Online: para sua aula não ficar massiva nem maçante! SBC Horizontes, 23 maio 2020. Disponível em: https://horizontes.sbc.org.br/index.php/2020/05/principios-educacao-online/.

 

Bibliografia Complementar 

LAURILLARD, D. Rethinking University Teaching: A Conversational Framework. Routledge, 2002. Disponível em: https://www.scribd.com/document/704783876/Conversational-Framework-of-Laurillard.

PUENTEDURA, R. SAMR: A Brief Introduction. 2010. Disponível em: https://www.scribd.com/document/891040863/Samr-Model-1.

DAKICH, Eva. Theoretical and Epistemological Foundations of Integrating Digital Technologies in Education. In: Reflections on the History of Computers in Education. Springer, 2014. Disponível em: https://link.springer.com/chapter/10.1007/978-3-642-55119-2_10.

VALENTE, José Armando. Mudanças na sociedade, mudanças na educação: o fazer e o compreender. In: O computador na sociedade do conhecimento. Campinas, SP: UNICAMP/NIED, 1999.

Comentários

  1. Olá, Ana Larissa! Muito reflexiva a sua postagem. O seu título já traz uma provocação excelente: esse grande abismo entre o potencial que as tecnologias possuem e a forma puramente instrumental como muitas vezes acabam sendo utilizadas na prática. É o desafio de não usarmos novos recursos apenas para reproduzir velhas metodologias transmissivas.

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