Linha do Tempo: Tecnologias digitais e ensino no Brasil

 

 

 

 

VEREDITO FINAL:

   

    Ao construir a linha do tempo, assim como as perguntas e respostas sobre o tema das tecnologias digitais com suas possibilidades e limites, percebo que a tecnologia digital presente desde 1990 com a criação do PROINFO, era predominante o uso de forma instrumental e as práticas pedagógicas eram de forma transmissiva. Segundo César Coll, Teresa Mauri e Javier Onrubia (2010), é possível afirmar que nenhuma transformação significativa ocorrerá enquanto a formação docente continuar centrada no domínio técnico, as práticas pedagógicas permanecerem transmissivas e as políticas educacionais se limitarem à distribuição de infraestrutura. A mudança deve compreender que a tecnologia é mediadora da atividade de aprendizagem, o que implica também na formação de professores que construam políticas que integrem tecnologia, currículo e prática pedagógica em um projeto coerente, planejem situações didáticas intencionais, reorganizem o ensino em torno da participação ativa dos estudantes, para que tenham a construção do conhecimento. Sobre as políticas educacionais, se centradas exclusivamente na infraestrutura, tendem a reproduzir usos superficiais e fragmentados, sendo fundamental a construção de projetos técnico-pedagógicos integrados que articulem objetivos educacionais, estratégias didáticas e uso adequado das tecnologias. Assim, o que considero, é que o potencial transformador das tecnologias digitais resida menos em suas características técnicas e mais na qualidade das práticas educativas em que são mobilizadas, exigindo uma mudança de foco da inovação tecnológica para a inovação pedagógica.

 

REFERÊNCIAS:

Bibliografia básica:

ZUCKER, Andrew A. Educational Technology. In: ZUCKER, Andrew A. Transforming schools with technology: how smart use of digital tools helps achieve six key education goals. Cambridge: Harvard Education Press, 2008. p. 01-26.

COLL, C.; MAURI, T.; ONRUBIA, J. A incorporação das tecnologias da informação e da comunicação na educação: do projeto técnico-pedagógico às práticas de uso. In: COLL, C.; MONEREO, C. (Org.). Psicologia da Educação Virtual.Porto Alegre: Artmed, 2010. p. 66–93.  

VALENTE, J. A.; ALMEIDA, M. E. B. Tecnologias e educação: legado das experiências da pandemia COVID-19 para o futuro da escola. Panorama Setorial da Internet, São Paulo, ano 14, n. 2, jun. 2022. Disponível em: https://cetic.br/media/docs/publicacoes/6/20220725145804/psi-ano-14-n-2-tecnologias-digitais-tendencias-atuais-futuro-educacao.pdf.

BONILLA, M. H. S.; OLIVEIRA, P. C. S. Inclusão digital: ambiguidades em curso. In: BONILLA, Maria Helena Silveira; PRETTO, Nelson De Luca (org.). Inclusão digital: polêmica contemporânea. Salvador: EDUFBA, 2011. p. 15-36. Disponível em: https://static.scielo.org/scielobooks/qfgmr/pdf/bonilla-9788523212063.pdf.

 

Bibliografia Complementar

EDUCAUSE. 2026 EDUCAUSE Students and Technology Report: steady amid change. Autores: Kristen Gay; Nicole Muscanell. [S. l.]: EDUCAUSE, 2026. Disponível em: https://www.educause.edu/.

PEDRÓ, F. Applications of Artificial Intelligence to higher education: possibilities, evidence, and challenges. IUL Research, [S. l.], v. 1, n. 1, p. 61–76, 2020. DOI: 10.57568/iulres.v1i1.43. Disponível em: https://iulresearch.iuline.it/index.php/IUL-RES/article/view/43

LIVINGSTONE, V.; STRICKER, J. K. The disappearance of an unclear question. [S. l.]: UNESCO, 2024. Disponível em: https://www.unesco.org/en/articles/disappearance-unclear-question

 

 

Comentários

  1. Ana, diante da compreensão de que o potencial transformador das tecnologias digitais depende mais da qualidade das práticas pedagógicas do que de suas características técnicas, como articular, na prática, formação docente, políticas educacionais e planejamento didático de modo a promover uma inovação pedagógica consistente, evitando que o uso das tecnologias permaneça superficial ou meramente instrumental?

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  2. Olá, Ana Larissa! Excelente o resgate histórico das tecnologias digitais no ensino; ele exemplifica bem como a lógica de transmissão vem de décadas. Você atingiu os objetivos ao diferenciar o uso instrumental da inovação pedagógica, deixando claro que a técnica não deve preceder a intencionalidade. Se o foco deve ser a inovação pedagógica e não a tecnológica, como as políticas públicas poderiam mensurar o sucesso de um projeto sem recorrer apenas a números de equipamentos entregues?

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